terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Alvo errado.

Foi noticiado pela imprensa ontem (27/01) os números de 2013 referente a roubos de carros e a quantidade recuperada pela polícia de Curitiba, cidade sede da Copa do Mundo de 2014. Ao todo foram roubados 8.881 carros, sendo que destes apenas 4.294 -48% do total- foram recuperados. Isto dá uma média de 24 carros roubados por dia, nos colocando em sétimo lugar entre todas as capitais brasileiras em número de ocorrências. 

Todas estas informações foram cedidas pelo Conselho Nacional de empresas de Seguros (CNseg) baseados em dados obtidos através do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

Se comparados estes números com 2012, houve uma queda de 5% no número de furtos. Em compensação,  houve também uma queda no número de carros recuperados pela polícia de 8,5%. 

Constatamos então que se por um lado foram roubados menos carros na cidade, por outro lado foram recuperados menos carros ainda, somente reforçando a situação de insegurança que existe atualmente no Brasil, principalmente nos grandes centros urbanos.

Comparativamente com outras capitais, Curitiba perde percentualmente em números de carros recuperados para a maioria delas, como por exemplo Florianópolis, Boa Vista, Recife, e entre outras. Atualmente, as capitais com menos casos elucidados pela polícia são Rio Branco-AC e Macapá-AP, com 30% e 31%, respectivamente. 

Fazendo agora um paralelo com nosso atual momento, Curitiba e outras capitais brasileiras estão "investindo" uma quantidade enorme de recursos, dos quais muitas vezes nem dispõem, para a realização da famigerada Copa do Mundo. Além das isenções tributárias e outros benefícios concedidos às instituições privadas, ainda existem as obras de mobilidade, as quais estão em sua grande maioria atrasadas.

Resumindo, além de não ser empregado dinheiro público na melhoria de questões sociais, como a segurança pública, ainda se investem rios de dinheiro em obras que "deveriam" trazer algum tipo de benefício à população, mas que de fato não se trazem, muito pela falta de fiscalização no cumprimento de prazos, mas sobretudo no controle dos gastos que estão sendo realizados, ficando evidente o cenário de que a república emite cheques em branco para oportunistas se aproveitarem da situação.

Os protestos ocorridos em ano passado, somando-se aos fatos isolados que já estão acontecendo este ano, além das promessas de mais protestos durante a copa, só reforçam a necessidade de mudanças, que muitas vezes a população acaba não sabendo como reivindicar, mas acabam fazendo do jeito que a vida lhes ensinou. 

Além de punir a violência dos protestos, a justiça deveria também punir os malfeitores públicos, porque estes sim praticam uma violência velada muito mais danosa para a população, buscando benefício próprio em detrimento da desgraça coletiva. 

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